Soja
Devido ao seu elevado consumo, a soja é um dos principais produtos agrícolas a nível mundial. Nos nossos produtos de Marca Própria e perecíveis, a soja pode ser usada de duas formas: diretamente, como ingrediente em produtos alimentares (como bebidas, óleos e outros derivados de soja) e, de forma indireta, como alimento para os animais responsáveis pela produção de ovos, leite, queijo, carne e peixe de aquacultura.
A nossa estratégia está alinhada com o Elemento 1 do roadmap para a soja da FPCoA e envolve dois níveis de atuação:
aumentar a rastreabilidade da soja ao nível da produção agrícola, reduzindo a incerteza associada à sua origem;
assegurar a origem sustentável sempre que a soja seja proveniente de países com risco de desflorestação, como a Argentina, Brasil e Paraguai.
Além destes compromissos, temos outros objetivos – um deles é assegurar quebtoda a soja nos nossos produtos de Marca Própria e perecíveis seja isenta de desflorestação (legal ou ilegal) e de conversão de ecossistemas de Alto Valor de Conservação (AVC), garantindo simultaneamente o respeito pelos direitos humanos ao longo da cadeia de produção. Para isso, adotámos 31 de dezembro de 2020 como data-limite para a desflorestação e conversão (exceto nos casos em que já existam datas-limite setoriais estabelecidas – como a Moratória da Soja na Amazónia, que define 22 de julho de 2008 como referência temporal –, ou outras datas previstas na lei).
Uma vez que a soja é frequentemente adquirida através de fornecedores indiretos, o mapeamento destas cadeias de abastecimento constitui um desafio para os retalhistas alimentares. Nestes casos, os nossos fornecedores diretos não compram soja; em vez disso, adquirem produtos de origem animal provenientes de cadeias de abastecimento em que os animais foram alimentados com soja em fases anteriores, e frequentemente distantes, das suas operações. Para identificar a origem dos ingredientes utilizados na alimentação desses animais, é necessário adotar uma abordagem colaborativa.
Para mitigar os riscos de desflorestação e de conversão de ecossistemas associados à produção de soja, acompanhamos e monitorizamos o fluxo de soja indireta através de associações do setor e de iniciativas como o FPCoA.
Progresso em 2025
O nosso consumo de soja inclui 100% da soja direta (como bebidas vegetais de soja, molhos de soja, lecitinas e óleos de soja) e indireta (todo o tipo de soja incorporada nas rações de animais que dão origem a produtos como ovos, leite, queijo, carne e peixe de aquacultura) presente nos produtos de Marca Própria e perecíveis que vendemos nos países onde operamos.
Em 2025, o nosso consumo total de soja – considerando os cinco níveis acima descritos e abrangendo todo o portefólio de produtos de Marca Própria e perecíveis – foi 511.370 toneladas. Deste total:
Apenas 2% corresponderam a soja utilizada como ingrediente direto (Tier 1 e Tier 5), nomeadamente em óleos vegetais e bebidas. Verificou‑se uma diminuição de 2 p.p. no consumo de soja direta, resultante de reformulações na composição de óleos vegetais que contêm este ingrediente nos produtos de Marca Própria da Ara.
Cerca de 98% corresponderam a soja indireta (Tiers 2 a 4b). A maior parte deste volume (91%) está associada a perecíveis especializados nas categorias de carne e peixe de aquacultura (Tier 2) e a perecíveis não especializados, como ovos e laticínios (Tier 3). Os restantes 7% dizem respeito a produtos alimentares processados, como refeições prontas e enchidos, que contêm ingredientes derivados de animais alimentados com soja.
Cerca de 65% da soja esteve associada à alimentação de aves (mais 4 p.p. face a 2024), 13% à alimentação de suínos (menos 5 p.p. face a 2024) e 10% à produção de ovos (aproximadamente a mesma proporção em relação a 2024).
Pegada de soja por tier (2025)
Pegada de soja por ingrediente (2025)
A nossa estratégia para a soja assenta em duas linhas de ação complementares. A primeira consiste no reforço dos mecanismos de rastreabilidade até ao nível da produção agrícola, reduzindo a incerteza quanto à origem e aumentando a transparência da cadeia de valor. A segunda visa assegurar que, quando a soja tem origem em países com maior risco de desflorestação – como a Argentina, o Brasil e o Paraguai –, trabalhamos em estreita colaboração com os nossos fornecedores para garantir que as compras assentam em práticas sustentáveis.
Em 2025, reforçámos a rastreabilidade de 97% da soja utilizada nas nossas cadeias de abastecimento, pelo menos até ao país de produção, reduzindo a proporção de soja de origem desconhecida para 3% (menos 2 p.p. face a 2024). Este progresso reflete o compromisso e os esforços conjuntos dos nossos fornecedores para aumentar a rastreabilidade das respetivas cadeias de abastecimento. Em 2026, continuaremos a reforçar a proximidade com os nossos fornecedores, com especial enfoque nas categorias de aves, suínos e ovos, dada a sua relevância na nossa cadeia de abastecimento.
Cerca de 72% (mais 8 p.p. face a 2024) da soja utilizada nos produtos de Marca Própria e perecíveis – sobretudo soja indireta – teve origem em países com risco de desflorestação que, de acordo com o FPCoA, incluem a Argentina, o Brasil e o Paraguai. Deste volume, 16% (menos 1 p.p. face a 2024) detinha certificação de sustentabilidade, como RTRS ou ProTerra.
O mapeamento da soja indireta continua a ser um desafio para os retalhistas alimentares, especialmente até ao nível da parcela de produção. Uma vez que a soja é frequentemente incorporada na alimentação animal em fases muito a montante da cadeia de valor, os nossos fornecedores diretos não compram soja, mas sim produtos de origem animal cuja cadeia de produção inclui soja numa fase distante e menos visível. Esta complexidade reforça a necessidade de abordagens colaborativas para identificar a origem dos ingredientes de alimentação animal e aumentar a transparência no setor.
Estimamos que, em 2025, 32% (menos 12 p.p. face a 2024) do nosso consumo total de soja não esteve associado à desflorestação nem à conversão de ecossistemas de elevado valor de conservação. Este valor (equivalente a 164.185 toneladas) é composto por 24% provenientes de origens de risco negligenciável e 8% abrangidos por sistemas de certificação física (até ao nível “Mass Balance”). Os resultados refletem o padrão global da cadeia de valor da soja, em particular da soja utilizada na alimentação animal: a sua origem situa‑se predominantemente em países da América do Sul e existe uma disponibilidade limitada de matérias‑primas certificadas.
Considerando a soja direta, 4.880 toneladas foram classificadas como DCF (82% do total), uma vez que tiveram origem em regiões de risco negligenciável. Na cadeia complexa, 159.305 toneladas (32%) alcançaram o estatuto DCF, refletindo a maior complexidade associada a produtos de origem animal. Este valor resulta da combinação de 24% provenientes de origens de risco negligenciável e 8% abrangidos por esquemas de certificação física (até ao nível Mass Balance).
O nosso consumo de soja considerado como em “Progresso para DCF” representou 3% do total, correspondente a 15.428 toneladas. Esta quantidade diz respeito a soja indireta de origem desconhecida, tendo sido possível rastrear ou a origem da matéria-prima (laticínios e carne de frango e de suíno) ou a origem da ração animal. Um dos objetivos coletivos da FPCoA é colaborar com associações setoriais para fazer face ao desafio de rastreabilidade na cadeia de valor.
Status DCF do consumo de soja (2025)
Para a soja proveniente de países de maior risco, os créditos RTRS adquiridos pelos nossos fornecedores representaram mais de 5% do consumo (20.253 toneladas). Em 2026, em parceria com os nossos fornecedores de Marca Própria e de produtos perecíveis, procuraremos converter parte destes créditos em esquemas de certificação física. O nosso objetivo é aumentar progressivamente a proporção de soja classificada como livre de desflorestação e de conversão de ecossistemas.
Para mais informações, consulte o nosso Relatório Anual de Progresso disponível no website da Round Table on Responsible Soy.
Envolvimento com fornecedores e traders
Na qualidade de membro da FPCoA, e no âmbito do Elemento 2 do roadmap para a soja, o nosso compromisso inclui o envolvimento com os fornecedores de Marca Própria e perecíveis, informando-os dos nossos objetivos e progressos, e incentivando-os a assumirem os mesmos compromissos nas suas próprias operações. Em 2025, tal como já tínhamos feito anteriormente, voltámos a comunicar os compromissos, progressos e políticas sobre o nosso contributo para um futuro positivo para a floresta a todos os nossos fornecedores.
Em 2025, continuámos a identificar as políticas e medidas implementadas pelos nossos fornecedores diretos mais relevantes – que representam mais de 80% do nosso consumo de soja – no âmbito da prevenção da desflorestação e do respeito pelos direitos humanos, tanto nas suas operações como nas cadeias de fornecimento a montante. Avaliámos também a existência de mecanismos de controlo da desflorestação e conversão de ecossistemas, como a rastreabilidade adequada, a definição de datas-limite e os sistemas de monitorização.
Simultaneamente, colaboramos de forma ativa com os nossos fornecedores diretos para melhorar o conhecimento sobre os sistemas de certificação disponíveis no mercado, com especial ênfase nas normas reconhecidas pela RTRS e pela ProTerra.
Em 2025, conseguimos identificar os traders a montante dos nossos fornecedores diretos responsáveis por mais de 75% do nosso consumo de soja proveniente de países com risco de desflorestação e conversão. Os traders responsáveis por 15% desse consumo foram avaliados pelo CDP (7% classificados com A- e 8% com B) no âmbito do programa Florestas.
O Forest 500 foi utilizado como referência adicional para avaliar o nível de maturidade da governação relacionada com a desflorestação e da gestão da cadeia de abastecimento entre os nossos principais traders. A avaliação demonstrou que aproximadamente 15% da pegada da cadeia de abastecimento está associada a traders com práticas relativamente avançadas (pontuações acima de 60%), 11% a traders com níveis intermédios de maturidade (pontuações entre 40% e 50%) e 17% a traders com evidência mais limitada de governação de riscos florestais (pontuações inferiores a 20%).
Cargill, De Heus e Louis Dreyfus são os traders mais relevantes da nossa cadeia de abastecimento. A coligação continuará a trabalhar com os traders para promover parcerias que contribuam para um futuro positivo para as florestas.
Nos próximos anos, continuaremos a avaliar o contributo dos nossos fornecedores diretos para uma cadeia de abastecimento que promova um futuro positivo para as florestas. Esta avaliação irá abranger as suas políticas de combate à desflorestação, o grau de rastreabilidade da origem da soja, a implementação de mecanismos de verificação e o nível de conhecimento que detêm sobre a sua própria cadeia de fornecimento, incluindo os traders com os quais têm relações comerciais (diretas ou indiretas).