Relatório e Contas 2025

Um futuro positivo para a floresta
6.º relatório de progresso
Políticas, compromissos e progresso

Soja

Devido ao seu elevado consumo, a soja é um dos principais produtos agrícolas a nível mundial. Nos nossos produtos de Marca Própria e perecíveis, a soja pode ser usada de duas formas: diretamente, como ingrediente em produtos alimentares (como bebidas, óleos e outros derivados de soja) e, de forma indireta, como alimento para os animais responsáveis pela produção de ovos, leite, queijo, carne e peixe de aquacultura.

Pessoa a trabalhar na colheita de soja no campo num dia ensolarado. (foto)

A nossa estratégia está alinhada com o Elemento 1 do roadmap para a soja da FPCoA e envolve dois níveis de atuação:

  • aumentar a rastreabilidade da soja ao nível da produção agrícola, reduzindo a incerteza associada à sua origem;

  • assegurar a origem sustentável sempre que a soja seja proveniente de países com risco de desflorestação, como a Argentina, Brasil e Paraguai.

Além destes compromissos, temos outros objetivos – um deles é assegurar quebtoda a soja nos nossos produtos de Marca Própria e perecíveis seja isenta de desflorestação (legal ou ilegal) e de conversão de ecossistemas de Alto Valor de Conservação (AVC), garantindo simultaneamente o respeito pelos direitos humanos ao longo da cadeia de produção. Para isso, adotámos 31 de dezembro de 2020 como data-limite para a desflorestação e conversão (exceto nos casos em que já existam datas-limite setoriais estabelecidas – como a Moratória da Soja na Amazónia, que define 22 de julho de 2008 como referência temporal –, ou outras datas previstas na lei).

Uma vez que a soja é frequentemente adquirida através de fornecedores indiretos, o mapeamento destas cadeias de abastecimento constitui um desafio para os retalhistas alimentares. Nestes casos, os nossos fornecedores diretos não compram soja; em vez disso, adquirem produtos de origem animal provenientes de cadeias de abastecimento em que os animais foram alimentados com soja em fases anteriores, e frequentemente distantes, das suas operações. Para identificar a origem dos ingredientes utilizados na alimentação desses animais, é necessário adotar uma abordagem colaborativa.

Para mitigar os riscos de desflorestação e de conversão de ecossistemas associados à produção de soja, acompanhamos e monitorizamos o fluxo de soja indireta através de associações do setor e de iniciativas como o FPCoA.

Progresso em 2025

O nosso consumo de soja inclui 100% da soja direta (como bebidas vegetais de soja, molhos de soja, lecitinas e óleos de soja) e indireta (todo o tipo de soja incorporada nas rações de animais que dão origem a produtos como ovos, leite, queijo, carne e peixe de aquacultura) presente nos produtos de Marca Própria e perecíveis que vendemos nos países onde operamos.

Em 2025, o nosso consumo total de soja – considerando os cinco níveis acima descritos e abrangendo todo o portefólio de produtos de Marca Própria e perecíveis – foi 511.370 toneladas. Deste total:

  • Apenas 2% corresponderam a soja utilizada como ingrediente direto (Tier 1 e Tier 5), nomeadamente em óleos vegetais e bebidas. Verificou‑se uma diminuição de 2 p.p. no consumo de soja direta, resultante de reformulações na composição de óleos vegetais que contêm este ingrediente nos produtos de Marca Própria da Ara.

  • Cerca de 98% corresponderam a soja indireta (Tiers 2 a 4b). A maior parte deste volume (91%) está associada a perecíveis especializados nas categorias de carne e peixe de aquacultura (Tier 2) e a perecíveis não especializados, como ovos e laticínios (Tier 3). Os restantes 7% dizem respeito a produtos alimentares processados, como refeições prontas e enchidos, que contêm ingredientes derivados de animais alimentados com soja.

Cerca de 65% da soja esteve associada à alimentação de aves (mais 4 p.p. face a 2024), 13% à alimentação de suínos (menos 5 p.p. face a 2024) e 10% à produção de ovos (aproximadamente a mesma proporção em relação a 2024).

Pegada de soja por tier (2025)

Pegada de soja por tier (2025) (gráfico de donuts)

Pegada de soja por ingrediente (2025)

Pegada de soja por ingrediente (2025) (gráfico de donuts)

A nossa estratégia para a soja assenta em duas linhas de ação complementares. A primeira consiste no reforço dos mecanismos de rastreabilidade até ao nível da produção agrícola, reduzindo a incerteza quanto à origem e aumentando a transparência da cadeia de valor. A segunda visa assegurar que, quando a soja tem origem em países com maior risco de desflorestação – como a Argentina, o Brasil e o Paraguai –, trabalhamos em estreita colaboração com os nossos fornecedores para garantir que as compras assentam em práticas sustentáveis.

Em 2025, reforçámos a rastreabilidade de 97% da soja utilizada nas nossas cadeias de abastecimento, pelo menos até ao país de produção, reduzindo a proporção de soja de origem desconhecida para 3% (menos 2 p.p. face a 2024). Este progresso reflete o compromisso e os esforços conjuntos dos nossos fornecedores para aumentar a rastreabilidade das respetivas cadeias de abastecimento. Em 2026, continuaremos a reforçar a proximidade com os nossos fornecedores, com especial enfoque nas categorias de aves, suínos e ovos, dada a sua relevância na nossa cadeia de abastecimento.

Cerca de 72% (mais 8 p.p. face a 2024) da soja utilizada nos produtos de Marca Própria e perecíveis – sobretudo soja indireta – teve origem em países com risco de desflorestação que, de acordo com o FPCoA, incluem a Argentina, o Brasil e o Paraguai. Deste volume, 16% (menos 1 p.p. face a 2024) detinha certificação de sustentabilidade, como RTRS ou ProTerra.

O mapeamento da soja indireta continua a ser um desafio para os retalhistas alimentares, especialmente até ao nível da parcela de produção. Uma vez que a soja é frequentemente incorporada na alimentação animal em fases muito a montante da cadeia de valor, os nossos fornecedores diretos não compram soja, mas sim produtos de origem animal cuja cadeia de produção inclui soja numa fase distante e menos visível. Esta complexidade reforça a necessidade de abordagens colaborativas para identificar a origem dos ingredientes de alimentação animal e aumentar a transparência no setor.

Estimamos que, em 2025, 32% (menos 12 p.p. face a 2024) do nosso consumo total de soja não esteve associado à desflorestação nem à conversão de ecossistemas de elevado valor de conservação. Este valor (equivalente a 164.185 toneladas) é composto por 24% provenientes de origens de risco negligenciável e 8% abrangidos por sistemas de certificação física (até ao nível “Mass Balance”). Os resultados refletem o padrão global da cadeia de valor da soja, em particular da soja utilizada na alimentação animal: a sua origem situa‑se predominantemente em países da América do Sul e existe uma disponibilidade limitada de matérias‑primas certificadas.

Considerando a soja direta, 4.880 toneladas foram classificadas como DCF (82% do total), uma vez que tiveram origem em regiões de risco negligenciável. Na cadeia complexa, 159.305 toneladas (32%) alcançaram o estatuto DCF, refletindo a maior complexidade associada a produtos de origem animal. Este valor resulta da combinação de 24% provenientes de origens de risco negligenciável e 8% abrangidos por esquemas de certificação física (até ao nível Mass Balance).

O nosso consumo de soja considerado como em “Progresso para DCF” representou 3% do total, correspondente a 15.428 toneladas. Esta quantidade diz respeito a soja indireta de origem desconhecida, tendo sido possível rastrear ou a origem da matéria-prima (laticínios e carne de frango e de suíno) ou a origem da ração animal. Um dos objetivos coletivos da FPCoA é colaborar com associações setoriais para fazer face ao desafio de rastreabilidade na cadeia de valor.

Status DCF do consumo de soja (2025)

Status DCF do consumo de soja (2025) (gráfico circular)

Para a soja proveniente de países de maior risco, os créditos RTRS adquiridos pelos nossos fornecedores representaram mais de 5% do consumo (20.253 toneladas). Em 2026, em parceria com os nossos fornecedores de Marca Própria e de produtos perecíveis, procuraremos converter parte destes créditos em esquemas de certificação física. O nosso objetivo é aumentar progressivamente a proporção de soja classificada como livre de desflorestação e de conversão de ecossistemas.

Para mais informações, consulte o nosso Relatório Anual de Progresso disponível no website da Round Table on Responsible Soy.

Envolvimento com fornecedores e traders

Na qualidade de membro da FPCoA, e no âmbito do Elemento 2 do roadmap para a soja, o nosso compromisso inclui o envolvimento com os fornecedores de Marca Própria e perecíveis, informando-os dos nossos objetivos e progressos, e incentivando-os a assumirem os mesmos compromissos nas suas próprias operações. Em 2025, tal como já tínhamos feito anteriormente, voltámos a comunicar os compromissos, progressos e políticas sobre o nosso contributo para um futuro positivo para a floresta a todos os nossos fornecedores.

Um trator a trabalhar num campo de soja num dia ensolarado. (foto)

Em 2025, continuámos a identificar as políticas e medidas implementadas pelos nossos fornecedores diretos mais relevantes – que representam mais de 80% do nosso consumo de soja – no âmbito da prevenção da desflorestação e do respeito pelos direitos humanos, tanto nas suas operações como nas cadeias de fornecimento a montante. Avaliámos também a existência de mecanismos de controlo da desflorestação e conversão de ecossistemas, como a rastreabilidade adequada, a definição de datas-limite e os sistemas de monitorização.

Simultaneamente, colaboramos de forma ativa com os nossos fornecedores diretos para melhorar o conhecimento sobre os sistemas de certificação disponíveis no mercado, com especial ênfase nas normas reconhecidas pela RTRS e pela ProTerra.

Em 2025, conseguimos identificar os traders a montante dos nossos fornecedores diretos responsáveis por mais de 75% do nosso consumo de soja proveniente de países com risco de desflorestação e conversão. Os traders responsáveis por 15% desse consumo foram avaliados pelo CDP (7% classificados com A- e 8% com B) no âmbito do programa Florestas.

O Forest 500 foi utilizado como referência adicional para avaliar o nível de maturidade da governação relacionada com a desflorestação e da gestão da cadeia de abastecimento entre os nossos principais traders. A avaliação demonstrou que aproximadamente 15% da pegada da cadeia de abastecimento está associada a traders com práticas relativamente avançadas (pontuações acima de 60%), 11% a traders com níveis intermédios de maturidade (pontuações entre 40% e 50%) e 17% a traders com evidência mais limitada de governação de riscos florestais (pontuações inferiores a 20%).

Cargill, De Heus e Louis Dreyfus são os traders mais relevantes da nossa cadeia de abastecimento. A coligação continuará a trabalhar com os traders para promover parcerias que contribuam para um futuro positivo para as florestas.

Nos próximos anos, continuaremos a avaliar o contributo dos nossos fornecedores diretos para uma cadeia de abastecimento que promova um futuro positivo para as florestas. Esta avaliação irá abranger as suas políticas de combate à desflorestação, o grau de rastreabilidade da origem da soja, a implementação de mecanismos de verificação e o nível de conhecimento que detêm sobre a sua própria cadeia de fornecimento, incluindo os traders com os quais têm relações comerciais (diretas ou indiretas).

Bens perecíveis
Produtos com um prazo de validade limitado e que requerem um armazenamento adequado para evitar que se estraguem, por exemplo, frutas frescas, vegetais, alimentos prontos a consumir, carne e peixe vendidos ao balcão e produtos lácteos.
Desflorestação
O desbravamento extenso de florestas. Isto pode acontecer por várias razões, como a criação de terras agrícolas para culturas e gado, a extração de madeira e o desenvolvimento de infraestruturas como estradas e zonas urbanas.

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