Relatório e Contas 2025

Gestão laboral responsável na cadeia de valor

Auditorias sociais

Através do nosso programa de auditorias sociais, conduzidas por auditores membros da Association of Professional Social Compliance Auditors (APSCA)1, avaliamos os nossos fornecedores de perecíveis e de Marcas Próprias dos sectores de produção primária, operações no mar e indústria transformadora, quanto à prevenção e mitigação de atuais e potenciais riscos de violação de direitos humanos e laborais.

Um trator a lavrar um campo ao pôr-do-sol ou ao nascer do sol, com um bando de pássaros a voar por cima (foto)

A realização destas auditorias, efetuadas sempre numa lógica de cooperação com os nossos fornecedores, permite-lhes um acompanhamento especializado nas temáticas sociais e laborais, ficando mais bem preparados para os deveres de diligência (due diligence) nas suas operações e junto dos seus próprios fornecedores. Desta forma, estão também mais capacitados para prevenir e mitigar riscos, alavancando ainda o seu potencial de expansão para países com requisitos laborais exigentes.

Em 2025 foram executadas 64 auditorias, mais do triplo em comparação com 2024. Os resultados encontram-se detalhados em “Seleção e acompanhamento de fornecedores”.

A seleção dos fornecedores objeto de auditoria social, bem como os critérios avaliados, nomeadamente a equivalência a sistemas de certificação verificados por uma entidade externa, estão descritos em “Auditorias Sociais”.

No sentido de prevenir e mitigar potenciais riscos de violação de direitos humanos e laborais, as auditorias preveem um contacto com os trabalhadores na cadeia de valor. Para além da verificação de documentos disponibilizados pela gestão e da vistoria ao local, são realizadas entrevistas aos trabalhadores da cadeia de valor, por forma a triangular informação e descartar dúvidas ou suspeitas eventualmente suscitadas durante a visita ao local. Existem duas modalidades de entrevista aos trabalhadores – individual e em grupo – e a seleção dá prioridade a:

  • grupos considerados potencialmente vulneráveis (i.e., faixas etárias jovens e mais velhas, trabalhadores migrantes, trabalhadores com contratos temporários, grávidas e pessoas de regresso de baixa médica);

  • trabalhadores observados durante a visita em possíveis situações de risco;

  • trabalhadores pertencentes às médias gerais de idade e género da empresa como forma de representação da maior parte da mão de obra empregue pelo fornecedor.

Durante a entrevista ao trabalhador, são frequentemente abordados temas relacionados com a existência ou utilização de equipamento de proteção individual, a compreensão das cláusulas constantes no respetivo contrato de trabalho ou o pagamento de horas extraordinárias. A entrevista decorre sempre observando os princípios da confidencialidade e da não-retaliação.

Durante as auditorias executadas em 2025, foram entrevistados mais de 1.300 trabalhadores dos nossos parceiros.

Ao mesmo tempo, disponibilizamos a estes trabalhadores canais de comunicação, como os da Comissão de Ética e os previstos na nossa Política de Comunicação de Irregularidades. Uma descrição pormenorizada destes canais pode ser encontrada em “Envolvimento com os stakeholders e canais de comunicação”.

No âmbito das auditorias sociais foram promovidas quatro formações em 2025, abrangendo mais de 100 participantes, que compreenderam:

  • um enquadramento sobre os direitos humanos e os dos trabalhadores;

  • uma análise do contexto político e regulatório no mundo, em particular na Europa, com destaque para as questões de índole social, que irão impactar o Grupo e a sua cadeia de valor;

  • as nossas políticas e códigos que fixam requisitos sociais aos nossos fornecedores;

  • os mecanismos de reporte de irregularidades que temos disponíveis para os fornecedores e os trabalhadores na cadeia de valor;

  • os critérios e os procedimentos das auditorias sociais.

Acreditamos que, desta forma, estamos a contribuir para o compromisso de erradicar o trabalho forçado nas cadeias de abastecimento e de promover condições de trabalho dignas, em linha com as normas da Organização Internacional do Trabalho e com os princípios prioritários do sector definidos pelo The Consumer Goods Forum, segundo os quais “todos os trabalhadores devem ter liberdade de movimento, nenhum trabalhador deve ter de pagar para trabalhar, e nenhum trabalhador deve endividar-se para trabalhar ou ser coagido a tal”2.

Auditorias de qualidade e segurança a fornecedores

As auditorias de qualidade e segurança de produto que realizamos também avaliam aspetos de natureza laboral, como condições de higiene e segurança no trabalho, formação, utilização de vestuário adequado, equipamentos de lavagem de mãos e regras de conduta e de higiene pessoal.

A nossa Política de Compras Sustentáveis e o nosso Código de Conduta preveem a possibilidade de cessarmos, de forma imediata, as relações comerciais com fornecedores sempre que tomemos conhecimento de que estes, ou os seus fornecedores, desenvolvem práticas de violação dos direitos humanos, da criança e/ou dos trabalhadores, ou que não incorporam preocupações éticas na sua atuação.

Estes processos de auditoria estão descritos com maior detalhe em “Auditorias de qualidade e segurança alimentar”.

1 A Association of Professional Social Compliance Auditors (APSCA) é o organismo de standards profissionais para auditores independentes de conformidade social que, através da integração de um quadro de competências obrigatórias para os auditores, visa promover a consistência e credibilidade das auditorias sociais. Para saber mais, consulte o website da APSCA.

2 Os Princípios Prioritários do Sector (Priority Industry Principles, na língua inglesa), estabelecidos em 2016, têm por objetivo prevenir o surgimento de práticas que possam evoluir para trabalho forçado, definindo condições mínimas, promovendo uma diligência (due diligence) antecipada e fortalecendo a capacidade das empresas para mitigar riscos sociais nas suas cadeias globais. Para saber mais, consulte o website do The Consumer Goods Forum.

Bens perecíveis
Produtos com um prazo de validade limitado e que requerem um armazenamento adequado para evitar que se estraguem, por exemplo, frutas frescas, vegetais, alimentos prontos a consumir, carne e peixe vendidos ao balcão e produtos lácteos.
OIT
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) é uma agência das Nações Unidas, fundada em 1919, cuja principal missão é promover a justiça social e económica, ajudando a estabelecer políticas e normas laborais equilibradas e inclusivas.

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