Relatório e Contas 2025

Perguntas Frequentes

Quais foram os principais destaques financeiros do Grupo Jerónimo Martins em 2025?

Em 2025, o Grupo Jerónimo Martins apresentou um desempenho financeiro sólido e manteve um balanço robusto.

As vendas atingiram os 35.991 milhões de euros (aproximadamente 36 mil milhões de euros), o EBITDA situou-se em 2.480 milhões de euros e o resultado líquido foi de 646 milhões de euros. O Grupo terminou o ano com 147.709 colaboradores e uma capitalização bolsista de 12,7 mil milhões de euros na Euronext Lisboa. O CAPEX totalizou 1.197 milhões de euros e o número de lojas ultrapassou as 6.500 localizações.

O EBITDA cresceu 11,1%, acima do crescimento das vendas, com a margem EBITDA a atingir 6,9% – um aumento de 22 pontos base face ao ano anterior. O resultado líquido avançou 7,9% para 646 milhões de euros. No final do ano, o Grupo detinha uma posição líquida de caixa (excluindo os passivos de locações operacionais capitalizadas) de 866 milhões de euros, preservando a robustez do balanço. O ROIC consolidado pré-imposto situou-se em 20,1% (20,0% em 2024), com as insígnias a protegerem o seu retorno sobre o capital investido apesar da intensificação da concorrência.

O cash flow do ano, antes do pagamento de dividendos, ascendeu a 537 milhões de euros.

Como foi o desempenho das insígnias em 2025 e quais foram os fatores que contribuíram para os seus resultados?

O desempenho das diferentes insígnias refletiu uma execução disciplinada num contexto exigente e altamente competitivo.

No ano em que celebrou o seu 30.º aniversário, a Biedronka ultrapassou pela primeira vez a fasquia dos 25 mil milhões de euros – as vendas cresceram 5,9% em zlotys (7,5% em euros), com um aumento das vendas like-for-like de 1,9%. O EBITDA aumentou 9,8% (+8,1% em moeda local), com a margem a atingir 7,9% (7,7% em 2024). Para fazer face à baixa inflação nos cabazes de compras, ao aumento dos custos salariais e à fraca dinâmica de consumo alimentar, a Companhia apostou na eficiência de custos e em medidas adicionais de produtividade. A Biedronka expandiu-se além-fronteiras pela primeira vez, entrando na Eslováquia, onde terminou o ano com 15 lojas e um centro de distribuição, tornando-se a primeira insígnia do Grupo Jerónimo Martins a internacionalizar-se.

Em Portugal, as vendas do Pingo Doce cresceram 5,3% para 5,3 mil milhões de euros, com um aumento like-for-like de 4% (excluindo combustível), impulsionado pelo segmento de refeições prontas. A insígnia remodelou 52 lojas, abriu nove novas localizações e encerrou uma. As vendas do Recheio cresceram 3,0% para 1,4 mil milhões de euros (LFL 3,0%), com as vendas do 4.º trimestre a aumentarem 4,2%.

As vendas da Ara em moeda local cresceram 17,4% (LFL 5,8%), atingindo 3,2 mil milhões de euros (+13,2% em euros). A Ara expandiu a sua rede para 1.653 localizações, incluindo 225 aberturas e a integração das antigas lojas Colsubsidio.

A Hebe operou ao longo do ano num ambiente marcado por uma concorrência de preços intensa e crescente, o que levou a insígnia a registar deflação no cabaz. As vendas cresceram 5,7% em moeda local (7,4% em euros, para 626 milhões de euros), com um LFL de 1,0%. A Hebe abriu 16 lojas na Polónia e mais duas na República Checa.

Quais foram os principais desafios de mercado na Polónia, em Portugal e na Colômbia em 2025?

Nos vários mercados, o consumo alimentar manteve-se contido, com os agregados familiares fortemente focados em preço e promoções. Embora a inflação alimentar tenha sido relativamente baixa, a inflação de custos – em particular a dos custos laborais – manteve-se elevada, intensificando a pressão competitiva.

Na Polónia, a inflação alimentar registou uma média de 4,7% no ano (2,8% no 4.º trimestre), com uma tendência descendente observada a partir de setembro, tendo o índice de preços caído para 2,4% em dezembro.

Em Portugal, tal como na Polónia, os consumidores mantiveram-se muito focados no preço e nas promoções. O Pingo Doce manteve a sua forte atividade comercial e registou progressos significativos na conversão da sua rede de lojas para o conceito All About Food, reforçando o foco nas refeições prontas e nos produtos frescos. A inflação alimentar em Portugal foi em média de 2,8% em 2025.

Na Colômbia, as famílias enfrentaram mais um ano desafiante. A Ara manteve uma intensidade promocional muito elevada, a par de preços baixos no dia a dia, operando com baixa inflação no cabaz ao longo de todo o ano, abaixo da taxa de inflação alimentar do país. A inflação alimentar na Colômbia situou-se em média nos 5,2% no ano.

Quanto é que o Grupo Jerónimo Martins investiu em 2025 e como foi aplicado esse capital?

Em 2025, o programa de investimento global do Grupo totalizou 1,2 mil milhões de euros. Foram iniciados dois novos centros de distribuição na Polónia, um deles automatizado.

O CAPEX reportado foi de 1.197 milhões de euros, alocado à abertura de lojas, remodelações e infraestrutura logística em todas as geografias. Na Colômbia, o investimento ligado à sustentabilidade foi também notável: o Grupo utilizou a última tranche de um empréstimo de 21 milhões de dólares do IFC (Banco Mundial), indexado a objetivos ESG, para apoiar a expansão da Ara com a construção de dois centros de distribuição nas regiões de Bogotá e Cali, com certificação EDGE-Advanced Green.

O Grupo continuou também a aumentar o peso dos instrumentos ligados à sustentabilidade na sua carteira financeira, que atingiu aproximadamente 29% no final do ano. Foram contraídos três novos empréstimos indexados a objetivos de sustentabilidade, associados à monitorização de impactos sociais, às taxas de recuperação de resíduos e à implementação de um sistema de retorno e reciclagem de embalagens nas lojas Biedronka.

Em todo o Grupo, foram investidos 361,1 milhões de euros em medidas de reconhecimento dos colaboradores. Adicionalmente, foram dotados 40 milhões de euros à Fundação Jerónimo Martins para apoio social aos colaboradores, às suas famílias e, de forma complementar, aos grupos mais vulneráveis da sociedade.

Quantas lojas é que o Grupo abriu em 2025 e o que é que isso revela sobre a sua estratégia de crescimento?

O Grupo abriu 448 novas lojas em 2025 - mais de uma por dia - , remodelou 281 e expandiu a sua rede global para mais de 6.500 localizações. A distribuição por insígnia reflete uma estratégia clara de amplitude geográfica e diversificação de formatos:

  • A Biedronka registou 152 adições líquidas na Polónia, mais 200 remodelações e cinco novos micro-fulfillment centres para a Biek (28 no total no final do ano);

  • A Ara na Colômbia atingiu as 1.653 localizações, com 225 aberturas registadas, incluindo a integração das antigas lojas Colsubsidio;

  • O Pingo Doce abriu nove novas lojas e a Hebe abriu 18 (13 adições líquidas), incluindo duas na República Checa.

O ritmo de expansão indica que o crescimento orgânico – em detrimento de aquisições – continua a ser o principal vetor de crescimento, com a Colômbia a representar a fronteira mais dinâmica para o crescimento de volumes, enquanto a Polónia aprofunda a penetração no mercado e estende a rede à Eslováquia.

Qual é a proposta de dividendos ou distribuição aos acionistas relativa aos resultados de 2025?

O Conselho de Administração propôs aos acionistas, na assembleia geral agendada para 26 de abril de 2026, um dividendo bruto de 0,65 euros por ação – um aumento de aproximadamente 10% face ao ano anterior. No total, a proposta prevê a distribuição de 408,5 milhões de euros. Isto representa um payout de aproximadamente 50% do lucro ordinário consolidado (ou aproximadamente 58% do resultado líquido consolidado), excluindo o efeito de determinados itens não recorrentes.

Quais foram os principais progressos de sustentabilidade e prioridades ESG em 2025?

Em 2025, o Grupo Jerónimo Martins tornou-se o primeiro retalhista alimentar multinacional a nível mundial a alcançar uma classificação Triple A do CDP nas avaliações de Clima, Água e Florestas.

As emissões de carbono de âmbito 1 e 2 do Grupo diminuíram 18,4% face a 2021 (ano de referência), e mais de 2.700 localizações estão agora equipadas com painéis fotovoltaicos. Mais de metade do consumo total de energia do Grupo provém de fontes renováveis.

No final do ano, o Grupo Jerónimo Martins estava listado em mais de 180 índices internacionais de sustentabilidade , com 57 investidores e analistas a acompanhar de perto o seu desempenho ESG.

Na vertente social, foram alocados cerca de 91 milhões de euros em apoio direto – monetário e em espécie – a mais de 2.200 entidades, e o Grupo dotou 40 milhões de euros à Fundação Jerónimo Martins, que tem como objetivo apoiar os colaboradores e as suas famílias, bem como grupos sociais vulneráveis nas áreas de resposta à emergência social, saúde e educação.

Foram registados 744 novos lançamentos de Marca Própria nas Companhias de distribuição alimentar em 2025, dirigidos a diferentes estilos de vida, necessidades e expectativas, incluindo restrições alimentares (intolerância à lactose/glúten), estilos de vida ativos, preferências vegan/vegetariano e produtos biológicos.

De que forma o Relatório e Contas de 2025 aborda os requisitos de reporte ESRS/CSRD?

O Relatório e Contas de 2025 constitui o segundo exercicio completo de divulgação por parte do Grupo ao abrigo das normas ESRS/CSRD. O relatório de 2024 foi explicitamente descrito como o primeiro em que JM divulgou as suas políticas, práticas e desempenho em matéria de sustentabilidade de acordo com os requisitos da CSRD, substituindo uma estrutura de responsabilidade corporativa de cinco pilares com quinze anos de existência.

O Grupo realizou a sua primeira avaliação de dupla materialidade em 2023, de acordo com a versão preliminar dos requisitos CSRD/ESRS, tendo-a revisto em 2024 de acordo com as normas ESRS finais e as orientações da EFRAG publicadas em maio de 2024. De 145 Impactos, Riscos e Oportunidades (IROs) analisados, 10 foram avaliados como materiais para o Grupo Jerónimo Martins, de acordo com os seus limiares internos, nomeadamente os intervalos aplicados nos processos de gestão do risco corporativo.

O relatório de 2025 continua a publicar tabelas detalhadas de indicadores ESRS (cobrindo as divulgações gerais ESRS 2 e normas setoriais como E1 Alterações Climáticas, tópicos sociais e de governação), utiliza o enquadramento da dupla materialidade como base estruturante e alinha as divulgações com as orientações da EFRAG. O financiamento indexado à sustentabilidade – representando aproximadamente 29% da carteira financeira – integra ainda mais as ambições da CSRD na estratégia de negócio.

Qual é a perspetiva para a margem bruta face à inflação dos custos operacionais?

A baixa inflação alimentar, combinada com uma elevada inflação de custos – em particular dos custos laborais – continuou a pressionar as margens em 2025. Ainda assim, as insígnias protegeram a rentabilidade através da disciplina de custos, de ganhos de produtividade e do crescimento dos volumes.

A experiência da Biedronka foi ilustrativa: a inflação no cabaz foi baixa e tornou-se negativa no último trimestre do ano, ainda assim a margem EBITDA melhorou de 7,7% para 7,9%, graças a medidas de eficiência de custos e iniciativas adicionais de produtividade.

No caso da Ara, o forte desempenho das margens reflete não apenas o crescimento das vendas, mas também o trabalho iniciado em 2024 para proteger a margem bruta e limitar o impacto da inflação nos custos.

Numa perspetiva futura, a abordagem do Grupo consiste em compensar a inflação dos custos salariais e operacionais através do crescimento de volumes (ganho de quota de mercado), disciplina rigorosa de custos, ganhos de produtividade e investimento em Marca Própria. A política de preços baixos no dia a dia do Grupo cria uma pressão estrutural sobre as margens brutas, mas espera-se que o elevado volume de vendas e a gestão rigorosa dos custos compensem esse efeito.

Em que medida as poupanças energéticas e as energias renováveis contribuíram para a eficiência de custos?

O investimento em energias renováveis e em eficiência energética continuou a gerar benefícios tanto ambientais como ao nível dos custos.

O Grupo continuou a investir de forma significativa na instalação de painéis solares nas lojas e centros de distribuição, na substituição de sistemas de refrigeração por gases naturais ou de baixo Potencial de Aquecimento Global, e no reforço das práticas responsáveis ao longo da cadeia de valor. Apesar da expansão e do forte crescimento das vendas, as emissões de carbono de âmbito 1 e 2 diminuíram 18,4% face a 2021. Mais de 2.700 localizações estão agora equipadas com painéis fotovoltaicos.

Mais de metade do consumo total de energia do Grupo provém de fontes renováveis, valor que sobe para mais de 60% quando se considera apenas o consumo de eletricidade. O programa de energias renováveis serve assim um duplo propósito: reduz as emissões de carbono (contribuindo para o cumprimento das metas ESRS E1 e das metas baseadas na ciência) e reduz estruturalmente os custos energéticos face à eletricidade adquirida à rede – uma alavanca de eficiência material para um Grupo com mais de 6.500 lojas e elevadas necessidades energéticas de refrigeração.

Onde posso encontrar o "Relatório de Progresso - Um futuro positivo para a floresta 2025"?

O "Relatório de Progresso - Um futuro positivo para a floresta 2025" será disponibilizado no website do Relatório e Contas 2025 de Jerónimo Martins, no capítulo de Sustentabilidade, a 30 de junho de 2026.

Apoio direto
Doações de alimentos, dinheiro ou tempo diretamente a instituições de solidariedade locais e organizações sem fins lucrativos que apoiam causas como a educação, a saúde e os serviços sociais. No caso de Jerónimo Martins, os donativos diretos devem centrar-se em instituições de solidariedade que ajudem os mais vulneráveis da sociedade, os idosos e as crianças e jovens desfavorecidos.
Dupla materialidade
Conceito utilizado no reporte de sustentabilidade que considera tanto a materialidade financeira como a materialidade de impacto de tópicos relacionados com as atividades de uma empresa. A realização de uma dupla avaliação da materialidade é obrigatória para todas as grandes empresas e todas as empresas cotadas (exceto microempresas cotadas) que divulguem informações ao abrigo da Diretiva de Reporte de Sustentabilidade Corporativa (CSRD).
ESRS
ESRS significa European Sustainability Reporting Standards (Normas Europeias de Relato de Sustentabilidade). Estas normas fazem parte dos esforços da União Europeia para melhorar e normalizar o reporte de sustentabilidade das empresas. As ESRS fornecem diretrizes pormenorizadas para a elaboração de relatórios sobre temas ambientais, sociais e de governação (ESG), assegurando a transparência e a responsabilidade nas práticas de sustentabilidade das empresas.
Like-for-like (LFL)
Vendas efetuadas por lojas e plataformas de comércio eletrónico que funcionaram nas mesmas condições e comparadas num período com as do período anterior. Excluem-se as lojas que abriram ou encerraram num dos dois períodos. As vendas das lojas que sofreram remodelações profundas excluem-se durante o período da remodelação (encerramento da loja).
ROIC (Retorno do Capital Investido)
O Retorno sobre o Capital Investido (ROIC) avalia a capacidade de uma empresa gerar lucros a partir dos seus investimentos de capital. Um ROIC mais alto significa uma melhor alocação de capital e um desempenho financeiro mais forte.

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