Relatório e Contas 2025

Auditorias sociais

No âmbito do processo de seleção de fornecedores, incluímos nas nossas auditorias de qualidade e segurança alimentar critérios relacionados com aspetos laborais. Estes aspetos são ainda complementados por auditorias sociais1 de monitorização aos fornecedores de perecíveis e de Marca Própria.

As auditorias sociais são asseguradas por uma entidade externa, sendo a seleção dos fornecedores a serem auditados feita com base nos seguintes critérios:

  • volume de compras efetuadas pelas nossas Companhias (superior a um milhão de euros no período 2024-2026);

  • resultados das auditorias anteriores;

  • relevância dos impactes sociais resultantes das suas atividades;

  • risco social do produto e/ou do país de fornecimento2.

Recorremos a três sistemas de auditoria social adequados aos sectores com risco elevado: produção primária, operações no mar e indústria de transformação. São avaliados mais de 125 requisitos de entre 13 dimensões: prevenção do trabalho infantil, prevenção do trabalho forçado, prevenção da discriminação, salvaguarda do direito de associação, termos contratuais, horas de trabalho, vencimento e benefícios, saúde e segurança no trabalho, preparação para emergência, monitorização do cumprimento, ética nos negócios, proteção dos direitos humanos (incluindo critérios que consideramos como de “tolerância zero”), e proteção das comunidades envolventes3.

Com base na pontuação geral, definimos cinco níveis de conformidade: Excelente, Muito Bom, Bom, Satisfatório e Inadequado.

Nas auditorias, são entrevistados colaboradores que constituam uma amostra representativa da força de trabalho da empresa auditada, incluindo colaboradores pertencentes a grupos vulneráveis – como migrantes ou pessoas sob contrato temporário –, bem como aqueles que, durante a visita, sejam identificados como estando em situação de risco social. Todas as entrevistas são conduzidas com estrito respeito pelos princípios da confidencialidade e da não retaliação4.

A todos os fornecedores – mesmo àqueles cuja avaliação final surge sem não conformidades críticas – foi apresentado e discutido um plano de ações corretivas personalizado, com resposta obrigatória no prazo máximo de 12 meses, variável conforme a gravidade. Durante este período, novos contactos são feitos junto do fornecedor para analisar o progresso na implementação do plano.

No caso dos fornecedores com avaliação de nível “Inadequado”, são feitos contactos regulares para aferir a implementação do plano de ação corretiva. Nos anos seguintes é feita uma nova avaliação – presencial ou remota – e, na ausência de evidências de progresso, a colaboração comercial pode ser suspensa, tal como definido na nossa Política de Compras Sustentáveis.

Em 2025, conduzimos auditorias presenciais junto de 64 fornecedores diretos, em Portugal, na Polónia e na Colômbia (mais 45 do que em 2024). Dos fornecedores auditados, 9 detinham certificações sociais – como Sedex SMETA, Global G.A.P, e Fairtrade – que, com base no sistema de equivalência por nós utilizado, foram convertidas num resultado de auditoria.

Auditorias sociais - distribuição de fornecedores de perecíveis, marca própria e marcas exclusivas, por níveis de desempenho

Auditorias sociais - distribuiçao de fornecedores de perecíveis, marca própria e marcas exclusivas, por níveis de desempenho (gráfico de barras)

Trinta e um fornecedores classificados no nível “Inadequado” em ciclos anteriores foram auditados de novo, tendo sete deles sido reavaliados com o nível “Excelente”, dois com “Muito Bom” e um com “Bom”. Os restantes 21 mantiveram-se no nível “Inadequado”, estando a ser acompanhados pelas nossas equipas locais.

1 As auditorias sociais que conduzimos analisam o cumprimento das leis nacionais e internacionais e têm em conta as boas práticas partilhadas pela Sustainable Supply Chain Initiative do The Consumer Goods Forum.

2 Tal como disposto na Lista de Bens Produzidos por Trabalho Infantil ou Trabalho Forçado desenvolvida pelo Bureau of International Labor Affairs (ILAB). Para saber mais, consulte o website ILAB.

3 Existem até 26 critérios críticos dependendo do esquema de auditoria que se utilizar – produção primária, operações no mar e indústria de transformação – que incidem sobre a proibição de trabalho infantil e o devido controlo de idades; proibição de trabalho forçado e a existência de contrato de trabalho com definições claras das funções e remuneração; garantia da liberdade de movimentos, proibindo-se a retenção de documentos dos trabalhadores; cumprimento do número máximo de horas de trabalho e obrigatoriedade de concessão de dias de descanso, de remuneração e registo auditável da mesma; proibição de atos de discriminação; existência de seguros de trabalho, de equipamentos e de mecanismos de assistência em emergência (médica ou de combate a incêndios), respeito pelos recursos naturais locais (terra e água), e instituição de um processo de consentimento livre, prévio e informado (em inglês, FPIC – Free Prior and Informed Consent) com as comunidades locais, entre outros. Nos casos das auditorias para produção primária ou para operações no mar, devido às especificidades dos contextos migratórios e à sazonalidade, estes critérios incluem o assegurar da devida repatriação nos casos de resolução contratual.

4 Para mais informações sobre estes processos, consultar “Trabalhadores na cadeia de valor”.

Bens perecíveis
Produtos com um prazo de validade limitado e que requerem um armazenamento adequado para evitar que se estraguem, por exemplo, frutas frescas, vegetais, alimentos prontos a consumir, carne e peixe vendidos ao balcão e produtos lácteos.

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