Relatório e Contas 2025

Finanças Sustentáveis

Framework de finanças sustentáveis

As finanças sustentáveis desempenham um importante papel na concretização tanto dos objetivos do Pacto Ecológico Europeu como da Agenda 2030 das Nações Unidas. Ao integrarmos critérios de sustentabilidade nas nossas decisões de investimento, nomeadamente na escolha de instrumentos financeiros, procuramos acelerar a transição para modelos produtivos mais responsáveis e resilientes, diferenciando positivamente as empresas com melhores práticas ambientais, sociais e de governo.

É por estes motivos que desenvolvemos, desde 2024, o Sustainable Finance Framework1 do Grupo Jerónimo Martins, que abrange um leque alargado de instrumentos financeiros, nomeadamente:

  • Empréstimos ou Obrigações verdes, que visam financiar projetos concretos de investimento em melhoria climática ou ambiental.

  • Empréstimos ou Obrigações Vinculadas à Sustentabilidade, com o objetivo de financiar a atividade própria da empresa na sua trajetória de sustentabilidade, e ao abrigo dos quais se monitorizam os indicadores de performance ambientais e sociais escolhidos de entre os cinco previstos no documento.

  • Instrumentos de financiamento da cadeia de abastecimento, neste caso, indexados à sustentabilidade dos fornecedores alvo de financiamento.

Este documento define o nosso posicionamento nesta área e está alinhado com os seguintes frameworks:

  • os Green Loan Principles (Princípios dos Empréstimos Verdes) e os Sustainability-Linked Loan Principles (Princípios dos Empréstimos Vinculados à Sustentabilidade) publicados pela LMA – Loan Market Association (associação líder no mercado dos empréstimos sindicados);

  • os Green Bond Principles (Princípios das Obrigações Verdes) e os Sustainability-Linked Bond Principles (Princípios das Obrigações Vinculadas à Sustentabilidade) publicados pela ICMA – International Capital Market Association (associação internacional de referência no mercado de capitais).

Os indicadores de performance ambiental e social incluídos no nosso programa de finanças sustentáveis foram selecionados com base nos tópicos materiais identificados na nossa matriz de dupla materialidade e representam compromissos ambiciosos, no âmbito da nossa estratégia de sustentabilidade. O Sustainable Finance Framework foi alvo de certificação por uma entidade terceira independente e acreditada.

Instrumentos em curso

A Jerónimo Martins Polska (Biedronka) celebrou, em 2023, um Empréstimo Verde com o Banco Europeu de Investimento (BEI) com vista ao financiamento da conversão energética em toda a rede de lojas Biedronka, aumentando a sua eficiência energética e reduzindo as emissões de carbono e a poluição atmosférica. Este financiamento, com um montante total de 1.500 milhões de złoty (cerca de 348 milhões de euros), começou a ser utilizado em 2024. Entre 2023 e 2025, a Biedronka finalizou, ao abrigo deste programa, mais de 600 remodelações de lojas com vista à melhoria da sua eficiência energética, através da implementação de sistemas fechados de refrigeração baseados em gases naturais, isolamento térmico dos edifícios e sistema de gestão de edifícios, em linha com a Diretiva de Edifícios Eficientes (EPBD – European Performance Buildings Directive).

A Jerónimo Martins Colombia (Ara) celebrou, em 2024, um Empréstimo Verde com a International Finance Corporation (IFC) no montante de 120 milhões de dólares (cerca de 115 milhões de euros), com vista ao financiamento da construção de dois centros de distribuição de acordo com critérios que mereceriam a certificação EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies). Estes dois centros de distribuição entraram já em operação e, no início de 2026, obtiveram a certificação EDGE, cumprindo assim as condições que nos permitem um financiamento mais favorável enquanto promovemos, em conjunto com a IFC, a transição para modelos produtivos mais responsáveis e eficientes. A certificação EDGE irá permitir obter uma poupança estimada de até 25% no consumo de energia e de até 60% no consumo de água, em comparação com o benchmark. Quanto à redução das emissões de GEE, espera-se que esta seja na ordem dos 40%.

Mantivemos também a nossa linha para emissão de garantias contratada pela Jerónimo Martins, SGPS, S.A, que foi requalificada como vinculada à sustentabilidade. Esta linha – de 350 milhões de euros –tem condições financeiras mais benéficas indexadas ao cumprimento de dois indicadores escolhidos pela entidade financeira de entre os cinco previstos no Framework.

Continuamos a trabalhar na conversão das nossas linhas de financiamento da cadeia de abastecimento, mais conhecidas como linhas de “Confirming”, que são requalificadas como “Confirming ESG”. Ao abrigo destas linhas, o fornecedor pode antecipar junto do banco o recebimento dos montantes das suas faturas emitidas sobre as empresas do Grupo Jerónimo Martins, com um custo variável em função da classificação ESG obtida numa avaliação efetuada pela Ecovadis ou do resultado das auditorias ESG às suas operações, levadas a cabo pelo Grupo. O custo para o fornecedor será tanto menor quanto melhor for a classificação por si obtida. Informação adicional sobre estas linhas é disponibilizada no subcapítulo 5 “Informações sobre a Governação”, secção 5.2. “Conduta Empresarial”, subsecção 5.2.4. “Iniciativas e práticas de pagamento a fornecedores”, neste capítulo.

Ainda em 2025 foram contratados dois novos Programas de Papel Comercial, por oferta particular e direta, ambos sob a forma de Sustainability-Linked Commercial Paper, cada um no montante máximo de 50 milhões de euros. Foi ainda emitido um empréstimo obrigacionista, também Sustainability-Linked, pelo prazo de 3 anos, a taxa fixa e no montante de 50 milhões de euros. As condições subjacentes a estes três novos contratos foram indexadas a objetivos de sustentabilidade relacionados com a monitorização e divulgação dos impactos sociais resultantes dos apoios oferecidos pelas empresas do Grupo Jerónimo Martins, bem como da taxa de valorização anual de resíduos.

Terminámos 2025 com quatro categorias de instrumentos financeiros sustentáveis em curso, mais uma do que em 2024: Empréstimos Verdes, Acordos de Financiamento da Cadeia de Abastecimento, Linhas de Crédito para emissão de Garantias e Linhas de Financiamento Sustentável (Sustainability-Linked Loan). Os perto de 1.450 milhões de euros angariados (mais 30% do que em 2024) representam cerca de 29% do total de instrumentos financeiros do Grupo. É nosso objetivo aumentar progressivamente a representatividade dos instrumentos financeiros ao abrigo do nosso Framework de finanças sustentáveis no portefólio global.

1 Este documento é disponibilizado no nosso website corporativo.

Dupla materialidade
Conceito utilizado no reporte de sustentabilidade que considera tanto a materialidade financeira como a materialidade de impacto de tópicos relacionados com as atividades de uma empresa. A realização de uma dupla avaliação da materialidade é obrigatória para todas as grandes empresas e todas as empresas cotadas (exceto microempresas cotadas) que divulguem informações ao abrigo da Diretiva de Reporte de Sustentabilidade Corporativa (CSRD).
Finanças sustentáveis
Inclui o financiamento climático, ecológico e social, mas também inclui considerações mais amplas sobre as práticas ambientais, sociais e de governação (ESG) incorporadas nas decisões de investimento das organizações financiadas.
Gases com efeito de estufa (GEE)
Um grupo de gases que contribui para o aquecimento global e para as alterações climáticas. O Protocolo de Quioto, um acordo ambiental adotado por muitas dos países na Convenção das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas em 1997 para travar o aquecimento global, abrange sete gases com efeito de estufa: dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄), óxido nitroso (N₂O), hidrofluorocarbonetos (HFC), perfluorocarbonetos (PFC), hexafluoreto de enxofre (SF₆) e trifluoreto de azoto (NF₃).

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