Em resposta à crescente pressão regulatória em matéria de sustentabilidade, ao aumento das expectativas dos stakeholders quanto à divulgação transparente das estratégias de gestão da biodiversidade e aos crescentes desafios que a perda de biodiversidade pode causar nos ecossistemas, iniciámos, em 2025, a nossa primeira avaliação estruturada das interações com a natureza, alinhada com as recomendações da TNFD.
O primeiro passo consistiu na análise das localizações dos ativos do Grupo, com o objetivo de identificar os estabelecimentos situados em áreas consideradas relevantes para a biodiversidade a nível nacional e internacional, com recurso à base de dados World Database of Protected Areas (WDPA). Posteriormente, foram mapeados1 os impactes e dependências relacionados com a natureza e identificados os potenciais riscos materiais2 para as nossas atividades e as da restante cadeia de valor. Este mapeamento abrangeu as seis maiores empresas do Grupo em volume de vendas (Biedronka, Pingo Doce, Ara3, Recheio, Hebe e JMA), tendo sido considerados os mercados da Polónia, Portugal, Colômbia e Marrocos.
Ativos localizados em áreas relevantes para a biodiversidade
A utilização da WDPA permite-nos identificar os ativos situadas em áreas legalmente protegidas, Reservas da Biosfera da UNESCO e sítios Ramsar4. Das mais de 6.500 instalações do Grupo situadas nos países em análise, apenas 7% se encontra em sobreposição com áreas protegidas:
Portugal – 2% das instalações em áreas protegidas (tipologias: lojas de retalho alimentar e explorações de aquacultura);
Polónia – 9% das instalações em áreas protegidas (tipologias: lojas de retalho alimentar, lojas de retalho especializado e centros de distribuição);
Colômbia – 4% das instalações em áreas protegidas (tipologias: lojas de retalho alimentar, lojas de comércio grossista e centros de distribuição);
Marrocos – não foram identificadas instalações em áreas protegidas.
Mesmo em localizações situadas em áreas protegidas, as nossas infraestruturas cumprem os requisitos legais em matéria ambiental e, na sua grande maioria, estão inseridas na malha urbana. O Grupo obtém de antemão as devidas autorizações de construção e exploração, colaborando com as entidades governamentais no sentido de assegurar a conservação dessas áreas.
Impactes e dependências
A análise preliminar feita com recurso à ferramenta ENCORE5, ainda sujeita a refinamento, indica que tanto os impactes potenciais da perda de biodiversidade como as dependências são mais significativos a montante da cadeia de valor do que nas operações próprias.
Dimensão |
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Operações próprias |
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Cadeia de abastecimento |
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Impactes |
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Dependências |
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Riscos e oportunidades
A análise preliminar da identificação de riscos relacionados com a biodiversidade6 associados às nossas atividades nos países avaliados permitiu identificar como relevantes:
Pressões na biodiversidade (risco físico) na Colômbia, em Marrocos, na Polónia e em Portugal;
Serviços de regulação-mitigação7 (risco físico) na Colômbia e em Portugal;
Serviços de regulação e suporte-viabilização8 (risco físico) na Colômbia;
Riscos reputacionais na Colômbia e em Marrocos.
No que diz respeito à gestão da água9 enquanto recurso crítico, foi possível identificar os seguintes riscos:
Disponibilidade de água em Portugal;
Qualidade da água na Polónia;
Riscos reputacionais na Colômbia.
Os resultados obtidos reforçam a relevância das iniciativas que temos em curso, nomeadamente no combate às alterações climáticas e à desflorestação. Em 2026, pretendemos melhorar a avaliação dos riscos e oportunidades associados à biodiversidade e aos ecossistemas, incluindo a identificação e quantificação dos respetivos efeitos financeiros, uma etapa que permitirá incorporar também as oportunidades ainda não identificadas. Paralelamente, avançaremos no desenvolvimento de metas e métricas alinhadas com a TNFD, estabelecendo linhas de base que assegurem uma monitorização consistente do desempenho e a integração progressiva destes temas na gestão e reporte do Grupo.
1 Mapeamento realizado com base na metodologia LEAP da TNFD e recorrendo a ferramentas como o ENCORE, o WRI Aqueduct Water Risk Atlas e o WWF Biodiversity Risk Filter.
2 Considera‑se que um risco é material quando apresenta uma classificação igual ou superior a “Médio”, numa escala que varia entre “Muito Baixo” e “Muito Alto”, refletindo assim um nível de relevância que justifica a sua integração nos processos de gestão do Grupo.
3 Inclui operação da Bodega del Canasto (70 lojas em 2025).
4 Sítios Ramsar são Zonas Húmidas de Importância Internacional designadas pelos países ao abrigo da Convenção de Ramsar, um tratado global criado para promover a conservação e o uso racional das zonas húmidas. Estes sítios integram uma rede internacional essencial para a biodiversidade e são reconhecidos pela Convenção por manterem componentes, processos e serviços ecológicos fundamentais, adquirindo assim um estatuto reforçado de proteção a nível nacional e internacional.
5 O ENCORE é uma ferramenta que ajuda a relacionar atividades económicas com as suas dependências e impactos sobre o capital natural. Utiliza classificações setoriais baseadas em códigos ISIC para identificar pressões ambientais materiais.
6 Recorrendo à ferramenta WWF Biodiversity Risk Filter.
7 Refere‑se à capacidade dos ecossistemas de reduzir a exposição a perigos naturais, tais como incêndios florestais, deslizamentos de terras, pragas ou calor extremo, que protege as operações e diminui a exposição a riscos físicos desta natureza.
8 Refere‑se aos serviços dos ecossistemas que viabilizam os processos produtivos, incluindo o cultivo de culturas agrícolas ou a criação de animais. Esta categoria de risco inclui cinco dos principais serviços dos ecossistemas de viabilização para diversos tipos de indústrias: condição do solo, condição da água, condição do ar, condição dos ecossistemas e polinização.
9 Recorrendo à ferramenta WRI Aqueduct Water Risk Atlas.