Relatório e Contas 2025

Jerónimo Martins no mercado de capitais

Ao longo de 2025, os mercados financeiros foram marcados por um ambiente simultaneamente de forte valorização e elevada volatilidade, moldado por: i) pressões inflacionistas ligadas a alterações nas relações do comércio internacional e na aplicação de tarifas, ii) decisões de política monetária, iii) tensões geopolíticas e iv) variações persistentes na perceção de risco por parte dos investidores.

Nos primeiros meses do ano, a desaceleração da inflação nas principais economias mundiais e os cortes das taxas de referência pelos bancos centrais sustentaram um sentimento mais favorável, ainda que episódios de correção abrupta – nomeadamente no setor tecnológico – tenham evidenciado a sensibilidade dos mercados a desenvolvimentos inesperados, incluindo a evolução da inteligência artificial (IA) e receios de concorrência acrescida.

Ao longo da primavera e verão, as tensões comerciais intensificaram-se, com sucessivas rondas de tarifas anunciadas pelos EUA, gerando receios de desaceleração económica mundial e pressionando quer o mercado acionista, quer o mercado das obrigações. Em paralelo, episódios geopolíticos – incluindo confrontos no Médio Oriente e incerteza política em vários países europeus – reforçaram a aversão ao risco, conduzindo os investidores para ativos considerados mais defensivos, como o ouro e a prata, que registaram consecutivos máximos históricos durante o ano.

A incerteza associada à política comercial dos EUA, bem como desenvolvimentos no domínio da IA, resultaram em movimentos mais expressivos em determinados setores de mercado.

Apesar destas pressões, vários mercados europeus mostraram resiliência, com desempenhos sólidos em setores como os da banca e de matérias‑primas, apoiados por melhorias nos resultados reportados e por uma recuperação gradual do sentimento económico.

No segundo semestre, as preocupações associadas às políticas comerciais dos EUA continuaram a condicionar o comportamento dos investidores. Ainda assim, alguns desenvolvimentos positivos – como o acordo comercial alcançado em julho entre os EUA e a União Europeia – permitiram fases de recuperação parcial, embora limitadas pela necessidade de ajustamentos de margens decorrentes das novas tarifas impostas às exportações europeias.

Na Europa, o ciclo de redução de taxas por parte do BCE e uma época de resultados robusta apoiaram uma evolução mais positiva, ainda que sujeita a oscilações decorrentes das negociações comerciais com os EUA e de acontecimentos políticos relevantes, como as eleições na Alemanha e a instabilidade governativa em França.

A política monetária, os indicadores económicos e as declarações do Presidente dos EUA foram consideradas como uma ameaça à independência e credibilidade da Reserva Federal Americana, o que acentuou a tendência de depreciação do dólar, que negociou, ao longo do ano, nos níveis mais baixos dos últimos três anos.

Neste contexto, destacou-se a moeda chinesa, que terminou 2025 com o valor mais elevado desde 2023, quebrando a barreira dos sete yuan por dólar. Esta evolução reflete a fraqueza da moeda norte‑americana ao longo do ano, com o dólar a perder terreno face à maioria das divisas mundiais.

Em dezembro, os mercados acionistas registaram uma ligeira correção, num movimento associado sobretudo à realização de mais-valias após um ano marcado por desempenhos expressivos. Este ajustamento não alterou, contudo, a tendência positiva observada ao longo de 2025, num ambiente condicionado pelas políticas comerciais dos EUA, pelo prolongado encerramento parcial do Governo norte americano e pela persistência de fatores de incerteza geopolítica.

A Europa encerrou 2025 com um dos melhores desempenhos dos últimos anos. O STOXX 600 valorizou cerca de 17%, beneficiando da evolução positiva dos setores bancário e de matérias-primas, e de melhorias no enquadramento económico. O principal índice do Reino Unido (FTSE 100) destacou-se ao completar o quinto ano consecutivo de ganhos, apoiado em avaliações atrativas e no seu papel enquanto alternativa de diversificação face a mercados mais expostos ao setor tecnológico.

De forma geral, dezembro reforçou a perceção de que os mercados demonstraram capacidade para acomodar choques significativos ao longo do ano. Ainda assim, para o início de 2026 antecipa-se uma maior prudência, tendo em conta riscos estruturais acumulados, incluindo a possibilidade de correções associadas à IA, o risco de abrandamento económico e a incerteza quanto à condução da política económica nos EUA.

Caracterização do título

Caracterização do título

Bolsa em que está cotada

 

Euronext Lisbon

Data de Entrada em Bolsa

 

novembro de 1989

Capital Social (€)

 

629.293.220

Valor Nominal

 

1,00 €

N.º Ações Emitidas

 

629.293.220

Símbolo

 

JMT

Códigos

 

ISIN

 

PTJMT0AE0001

 

Reuters

 

JMT.LS

 

Bloomberg

 

JMT PL

 

Sedol

 

B1Y1SQ7

 

WKN

 

878605

O desempenho sustentável do Grupo Jerónimo Martins, assim como os seus contributos para a prosperidade económica e o desenvolvimento social, têm vindo a ser reconhecidos internacionalmente com a inclusão em mais de 180 índices de sustentabilidade, entre os quais Climate Europe, Europe Sustainable 100, CDP Environment ESG Eurozone, índices da Euronext, FTSE4Good Developed e o FTSE4Good Europe, e vários índices da MSCI (Morgan Stanley Capital International), Solactive e STOXX.

Em 2025, atingimos um marco relevante, uma vez que fomos avaliados pelo CDP (Disclosure Insight Action), uma entidade independente, com a nota máxima (A) devido às boas práticas nos programas de combate às alterações climáticas (Climate Change), de gestão da água enquanto recurso crítico (Water Security) e de gestão das commodities mais associadas ao risco de desflorestação (Forests) – óleo de palma, papel e madeira, gado bovino e soja. Foi a primeira vez que um retalhista alimentar multinacional alcançou a distinção triplo A, passando a fazer parte do grupo restrito de 23 empresas que, em todo o mundo, foram reconhecidas com a classificação máxima nas três dimensões avaliadas pelo CDP. A avaliação reconhece também a transparência no reporte.

A presença de Jerónimo Martins nestes e em outros índices relevantes pode ser consultada na área de Sustentabilidade do nosso website.

Estrutura de capital

Para informação sobre a estrutura de capital de Jerónimo Martins, consultar a Secção A – Estrutura Acionista deste Relatório e Contas.

Desempenho do PSI

Ao longo do ano, o mercado acionista português apresentou um desempenho positivo, embora por vezes dissociado do ritmo observado na Europa. O comportamento do índice PSI foi marcado por momentos de forte volatilidade – como a correção acentuada em abril, influenciada pela intensificação da “guerra comercial” – e também por fases de recuperação e valorização, beneficiando da atratividade de um mercado tradicionalmente defensivo e orientado para dividendos.

Paralelamente, Portugal continuou a consolidar a sua credibilidade financeira. As principais agências de notação mantiveram uma postura favorável, refletida em duas revisões em alta do rating soberano: primeiro por parte da S&P, que elevou a classificação para “A”, e mais tarde pela Fitch, que reforçou o rating para “A” com perspetiva estável. Estas decisões destacaram a trajetória consistente de redução da dívida pública, a manutenção de equilíbrios orçamentais, a resiliência económica e o dinamismo das exportações.

O PSI ultrapassou em agosto a barreira dos 8.000 pontos, um feito que não ocorria desde abril de 2011, tendo encerrado o ano muito acima desse patamar. O índice registou uma variação homóloga acima dos seus congéneres europeus – a valorização mais elevada desde 2009 –, com exceção para os índices de referência polaco (WIG 20: +45,3%) e espanhol (IBEX 35: +49,3%), reforçado pela estabilidade relativa da economia nacional e pela acima referida melhoria da notação financeira de Portugal por parte das principais agências de rating.

A partir de setembro, na revisão da Euronext, o PSI passou a integrar 16 empresas cotadas, com o regresso da Teixeira Duarte ao principal índice português.

O desempenho do mercado português beneficiou da valorização de setores como a banca e a construção. Este último, no âmbito do PSI, registou um período de crescimento excecional. A aprovação do Orçamento do Estado para 2026, no qual o Governo reafirmou o compromisso de avançar com projetos estruturantes já previstos – incluindo a linha ferroviária de alta velocidade, as obras de expansão dos aeroportos de Lisboa e Porto e o desenvolvimento de concessões portuárias – atuou como catalisador para uma expressiva valorização das cotações.

Em dezembro, o índice PSI encerrou nos 8.263,65 pontos, mais 29,6% do que no período homólogo de 2024.

Em suma, e apesar do contexto político desafiante – com a queda do Governo seguida de realização de eleições antecipadas –, o mercado português mostrou resiliência, evidenciando a perceção de estabilidade institucional e de continuidade das políticas macroeconómicas.

Desempenho da ação Jerónimo Martins

Os movimentos mais significativos da ação de Jerónimo Martins ao longo de 2025 refletiram, sobretudo, a reação do mercado aos resultados trimestrais e à atualização das expectativas dos investidores quanto à evolução do consumo alimentar e quanto aos impactos decorrentes da subida significativa dos salários e da atuação em mercados altamente competitivos, em particular na Polónia.

A ação terminou o ano com uma cotação de 20,26 euros, uma variação positiva de 9,8% face ao fecho do ano anterior.

Durante o ano de 2025, o volume de transações na Euronext Lisbon foi na ordem dos 172 milhões de ações (19% abaixo do volume de 2024), o que corresponde a uma média diária de cerca de 676 mil ações. O preço médio registado por ação foi de 20,78 euros (10,1% acima do registado no ano anterior).

As ações transacionadas de Jerónimo Martins representaram 8,8% do volume total de negócios do PSI (ou seja, cerca de 4 mil milhões de euros).

Desempenho do preço das acções (gráfico)

Em termos de capitalização bolsista, Jerónimo Martins fechou o ano a ocupar a terceira posição, com 12,7 mil milhões de euros (11,6 mil milhões de euros em 2024), e um peso relativo de 10,1% no índice (que compara com 11,5% em 2024).

A Companhia é uma das três empresas portuguesas que integram o índice Euronext100, tendo descido o seu peso para 0,28% (face a 0,32% em 2024).

Analistas

A partir de agosto de 2025, a ação de Jerónimo Martins passou a contar com 25 analistas que fazem cobertura ativa da ação.

O preço-alvo médio atribuído por estes analistas foi de 25,16 euros, 24,2% acima da cotação de fecho a 31 de dezembro de 2025 e 18,7% acima da mesma métrica do ano anterior.

A evolução das recomendações e preços-alvo emitidos pelas diversas instituições pode ser consultada no nosso website.

Recomendações (gráfico de barras)
*Existe uma casa de research cuja cobertura se encontra “suspensa”
Desflorestação
O desbravamento extenso de florestas. Isto pode acontecer por várias razões, como a criação de terras agrícolas para culturas e gado, a extração de madeira e o desenvolvimento de infraestruturas como estradas e zonas urbanas.

Tópicos general

Tag Manager

Tópicos general

Tópicos esrs

Resultados