A biodiversidade desempenha um papel importante na construção de sistemas alimentares sustentáveis, pois constitui a base dos ecossistemas que asseguram os serviços essenciais à produção agrícola. Para nós, a sua proteção não é apenas uma responsabilidade, mas também uma prioridade estratégica, indispensável para garantir a continuidade do negócio a longo prazo. Esta ambição está alinhada com os objetivos estabelecidos na COP 15 das Nações Unidas, que reforçam a necessidade de uma ação empresarial robusta e baseada na ciência para travar a perda de biodiversidade e promover a regeneração dos ecossistemas.
Temos vindo a aprofundar a identificação e avaliação dos riscos e oportunidades associados à natureza, tanto nas nossas operações como na cadeia de valor. Tendo por base a metodologia Ecosystem Services Review (ESR)1, desenvolvida pelo World Resources Institute (WRI), iniciámos este caminho em 2010 com a identificação sistemática dos riscos relacionados com os diferentes serviços dos ecossistemas.
Procuramos alinhar as nossas práticas com os objetivos do Quadro Global para a Biodiversidade de Kunming-Montreal, nomeadamente no que diz respeito ao apoio a projetos locais de preservação da biodiversidade nos países onde temos operações de maior dimensão e longevidade.
Este compromisso integra‑se numa ambição nature positive que vem sendo construída há mais de uma década, e que se traduz nas nossas estratégias de combate à desflorestação, de promoção de pescado sustentável, na disponibilização de produtos com certificações que favorecem a proteção e regeneração da biodiversidade (ex., RSPO, RTRS, Global G.A.P. e FSC®) e no aprofundamento de práticas que elevam os padrões de bem‑estar animal. Para além disso, em 2025 demos os primeiros passos para a adoção das recomendações da Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD)2 e o desenvolvimento do Plano de Transição para a Biodiversidade do Grupo Jerónimo Martins.
Reconhecendo a forte interligação entre a natureza e o clima – e a necessidade de abordagens integradas que permitam responder a fatores de risco comuns –, desenvolvemos sinergias entre as estratégias destes dois domínios, em alinhamento com as recomendações da Task Force on Climate‑related Financial Disclosures (TCFD)3.
1 Esta metodologia foi posteriormente atualizada em 2014.
2 A Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD) é uma iniciativa global que visa promover a integração na estratégia empresarial de riscos e oportunidades relacionados com a natureza.
3 Ver “Alterações climáticas”.