A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) estima que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial tenha sido de 3,2%1 em 2025, ligeiramente abaixo dos 3,3% do ano anterior.
A expectativa é que o crescimento do PIB desacelere para 2,9% em 2026, antes de voltar a acelerar, em 2027, para 3,1%. A instituição antecipa novos cortes nas taxas de juro e reduzida austeridade orçamental, apesar das crescentes pressões sobre as contas públicas.
A tomada de posse de Donald Trump, como 47.º Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) e a implementação de uma política comercial mais protecionista marcou este último ano. A perspetiva de subida de tarifas comerciais levou à antecipação de muitas operações de comércio internacional na primeira metade de 2025 e impactou a inflação dos EUA e das economias envolvidas.
A maioria dos bancos centrais reduziu as respetivas taxas de juro em diversas ocasiões, numa tentativa de suportar o crescimento. Exceção para a Reserva Federal Americana que, durante aproximadamente três trimestres, manteve a política monetária inalterada face aos potenciais efeitos da nova política comercial na subida da inflação, tendo, contudo, iniciado, a partir de setembro, um ciclo de cortes da taxa de juro.
A desaceleração da inflação possibilitou um alívio na política monetária das principais economias, o que contribuiu para mitigar a incerteza gerada pelas tensões geopolíticas e comerciais. Não obstante, observaram-se diferenças significativas na dinâmica da atividade económica e na recuperação dos rendimentos entre os diversos blocos económicos. A confiança dos consumidores foi recuperando lentamente na maioria das economias, mas continuou abaixo dos níveis médios históricos, especialmente nas economias mais desenvolvidas.
No âmbito geopolítico, 2025 foi marcado por desafios significativos e por uma evolução complexa do contexto internacional. A guerra na Ucrânia continuou ao longo do ano, com negociações sobre um eventual acordo de paz a ocorrerem sobretudo no último trimestre de 2025, sem conclusões efetivas.
A administração dos EUA anunciou também o agravamento das tarifas comerciais aplicadas a diversos parceiros. Posteriormente, foram alcançados acordos com a maioria dos países e blocos económicos, incluindo com a China. No plano interno, no início de outubro e durante 43 dias, registou-se uma paralisação parcial da Administração Federal (encerramento parcial do Governo norte-americano: government shutdown), a mais prolongada de sempre.
Produto interno bruto
Últimos 3 anos
O crescimento da economia polaca acelerou em 2025, com o PIB a aumentar 3,6%, face aos 3,0% registados no ano anterior. Este crescimento foi sustentado pelo consumo de bens não-alimentares e serviços das famílias, que beneficiaram do aumento do salário mínimo mensal, da desinflação e da flexibilização das condições financeiras.
Em 2025, a Eslováquia registou um crescimento anémico do PIB de 0,8% devido a uma menor procura externa e ao impacto de novas tarifas comerciais. Apesar do apoio dos fundos da União Europeia, a incerteza económica e a necessidade de consolidação fiscal travaram o investimento no país.
Em Portugal, após a queda do Governo em maio e das subsequentes eleições, a estabilidade política foi parcialmente reposta. O crescimento da economia desacelerou face a 2024, com o PIB a crescer 1,9%. Ao longo de 2025, a economia manteve um desempenho sólido, apesar de um enquadramento externo adverso. O mercado de trabalho permaneceu robusto, com níveis de emprego historicamente elevados e uma taxa de desemprego reduzida.
Na Colômbia, o Governo invocou uma cláusula de salvaguarda para suspender temporariamente algumas regras de disciplina fiscal, elevando a projeção do défice para 7,1%. Simultaneamente, o Banco Central manteve uma postura cautelosa de forma a tentar controlar a inflação persistente.
A economia colombiana cresceu 2,6%, acima dos 1,5% registados no ano anterior. Este desempenho foi suportado pelo consumo privado, por gastos governamentais, por uma recuperação contínua, embora volátil, dos investimentos e ainda pela confiança dos consumidores, que atingiu máximos de vários anos.
Índice de preços no consumidor
Últimos 3 anos
A inflação na Polónia tinha encerrado 2024 em trajetória de aceleração, reflexo da descontinuação de apoios governamentais (nomeadamente da redução temporária da taxa de IVA dos bens essenciais), tendência que se manteve no início de 2025. No entanto, ao longo do ano, a inflação teve uma trajetória maioritariamente descendente, registando, em dezembro, uma variação homóloga de 2,4% – mínimos de abril de 2024. A inflação média anual foi de 3,6%, em linha com 2024.
Na Eslováquia, a inflação voltou a acelerar em 2025, com o valor médio a atingir os 4,0%, em resultado do aumento dos preços dos serviços.
Em Portugal, a inflação média foi 2,3% (2,4% em 2024), tendo apresentado um comportamento pouco uniforme ao longo do ano. A ligeira diminuição da taxa de inflação foi influenciada pelo comportamento dos produtos energéticos, que apresentaram uma variação média anual de -0,2%, e pela desaceleração da inflação subjacente, que registou uma variação média anual de 2,2% (2,5% em 2024).
A inflação média da Colômbia foi 5,1% (6,6% em 2024). A variação do índice de preços permaneceu maioritariamente acima dos 5,0%.
Taxas de Juro diretoras - Fim do Período
Últimos 3 anos
Em 2025, os principais bancos centrais mundiais continuaram a aliviar o carácter restritivo das suas políticas monetárias.
O Banco Central Europeu (BCE) optou por cortar os juros nas quatro primeiras reuniões do ano até junho, com a principal taxa de referência a atingir os 2,0%. Desde então, a instituição manteve as taxas inalteradas.
Na Polónia, o Banco Central manteve as taxas inalteradas em 5,75% até abril, tendo posteriormente iniciado um movimento de flexibilização da política monetária, com as taxas de juro a atingirem os 4,0% em dezembro.
O Banco Central da Colômbia limitou a flexibilização a um único corte de 25 pontos base, em abril, encerrando o ano com as taxas de juro de referência em 9,25%.
POLÓNIA - Índices do Retalho Total e Alimentar
Preços constantes
ESLOVÁQUIA - Índices do Retalho Total e Alimentar
Preços constantes
PORTUGAL - Índices do Retalho Total e Alimentar
Preços constantes
COLÔMBIA - Índices do Retalho Total e Alimentar
Preços constantes
Relativamente à evolução das vendas no Retalho Alimentar, a preços constantes, Portugal foi a economia que registou a evolução mais positiva dos países em análise, seguindo-se a Colômbia. No caso da Polónia e da Eslováquia, o Retalho Alimentar registou uma ligeira queda face a 2024.
Indicador de Confiança dos Consumidores
Valores Médios, Últimos 3 anos
Os níveis do Indicador de Confiança dos Consumidores (ICC) registaram uma melhoria em Portugal, na Polónia e na Colômbia, ainda que se mantenham em níveis negativos (com exceção da Colômbia).
Na Polónia, a evolução deste indicador ao longo do ano foi marcada por alguma irregularidade, com o valor mais elevado a ser registado em setembro (-8,3 pontos), tendo encerrado o ano em -9,9 pontos. O abrandamento do crescimento dos salários reais foi um dos fatores que limitaram a evolução da confiança dos consumidores em 2025.
O ICC na Eslováquia continuou a deteriorar-se em 2025, influenciado pelo pacote de consolidação fiscal anunciado pelo Governo em setembro de 2024 que incluiu medidas como um aumento do IVA e de impostos sobre as empresas.
Em Portugal, o ICC apresentou uma trajetória instável. No início do ano, o Indicador deteriorou-se devido às expectativas de agravamento da inflação. Ao longo de 2025, a confiança dos consumidores foi recuperando, apoiada num maior otimismo quanto à economia nacional e à situação financeira futura, bem como a uma expectativa de desaceleração da inflação.
Na Colômbia, apesar de um início de ano desafiante, o mesmo indicador encerrou o ano em máximos de mais de 10 anos.
Taxa de Desemprego
Últimos 3 anos
Na Polónia, a taxa média de desemprego aumentou para 5,4% em 2025 face aos 5,1% registados em 2024, enquanto, na Eslováquia permaneceu nos 5,0%.
Em Portugal, este indicador recuou para 6,0% em 2025, face aos 6,4% registados no ano anterior.
Na Colômbia, a taxa de desemprego manteve a tendência decrescente em 2025, atingindo 7,0% em novembro – mínimo em mais de 10 anos – antes de subir para 8,0% em dezembro. A taxa média anual situou-se em 8,9%.
Relativamente às taxas de câmbio, o złoty registou uma taxa de conversão média anual2 de 4,2397 em relação ao euro, correspondente a uma apreciação de 1,5% face ao câmbio médio de 4,3049 registado no ano de 2024.
Por outro lado, o peso colombiano registou uma taxa de conversão média anual2 de 4.568 face ao euro, o que se traduz numa depreciação de 3,6% face aos 4.405 de 2024.
Perspetivas económicas para 2026
Para 2026, a nível mundial, é projetado um abrandamento do crescimento do PIB para 2,9%. É expectável que a inflação continue moderada e que a política monetária global se apresente menos restritiva.
As expectativas dos analistas para a Polónia apontam para um crescimento de 3,4% em 2026.
Para a Eslováquia, as previsões apontam para uma aceleração do crescimento económico em 2026, de 1,1%. A absorção dos fundos comunitários continuará a ser o principal suporte ao investimento, pese embora a formação de capital permaneça pressionada pela incerteza económica e pelo processo de consolidação orçamental em curso.
É expectável um crescimento sustentado da economia portuguesa, para 2026, acima do registado no último ano. Um mercado de trabalho robusto, aumento do salário mínimo e redução do imposto sobre o rendimento deverão apoiar o consumo privado. No entanto, os efeitos dos fenómenos meteorológicos extremos ocorridos no início de 2026, com especial destaque para os da tempestade Kristin, poderão afetar estas perspetivas.
Na Colômbia, o investimento deverá recuperar gradualmente, embora permaneça condicionado pela incerteza. A política monetária deverá manter-se restritiva para garantir o regresso da inflação ao objetivo estabelecido, projetando-se défices orçamentais elevados. Espera-se uma diminuição da inflação que deverá, no entanto, permanecer acima do objetivo de 3,0% até 2027.
Importa, no entanto, relevar que as perspetivas macroeconómicas para 2026 se mantêm marcadas por elevada volatilidade, sendo necessário corrigi-las em resultado de riscos geopolíticos acrescidos, considerando também o impacto do recente ataque ao Irão nos mercados energéticos, na inflação e na confiança dos agentes económicos a nível global.
1 OECD Economic Outlook, Volume 2025 questão 2.
2 Taxa de conversão média anual determinada com ponderação dos volumes de negócios das Companhias do Grupo a operarem nessa moeda.