Auditorias laborais
Garantimos a prevenção de riscos de incumprimento dos direitos laborais através de auditorias frequentes aos processos de recursos humanos, abrangendo critérios como os horários de trabalho, os períodos de descanso e férias, os exames médicos e as condições de trabalho. Este controlo contínuo contribui para a dignidade no trabalho e o bem-estar dos colaboradores. Em 2025, foram realizadas 433 auditorias no Pingo Doce, Recheio, Jerónimo Martins Agro-Alimentar, Jeronymo e Hussel, que sustentam ações corretivas a serem implementadas num prazo variável, dependendo da gravidade das situações.
No setor agroalimentar, onde temos colaboradores de mais nacionalidades do que é comum noutras áreas do Grupo, existe um processo de verificação dos critérios de proteção dos direitos humanos e laborais junto dos parceiros de trabalho temporário, incluindo análise de contratos, seguros, comunicações à Segurança Social e exames médicos.
A Ara continua a utilizar a ferramenta Mapa de Criticidade Laboral para identificar áreas de maior risco e para hierarquizar intervenções estratégicas. As equipas monitorizam indicadores prioritários de direitos laborais, como tempos de trabalho e de descanso, custos laborais, rotação, absentismo e processos disciplinares. A avaliação destes indicadores determina o nível de criticidade e orienta a realização de auditorias adicionais sempre que necessário. Em 2025 foram executadas 895 auditorias.
Erradicação de trabalho forçado e trabalho infantil
Enquanto membro do The Consumer Goods Forum, estamos presentes na Human Rights Coalition, na qual as empresas pares alinham e promovem ações coletivas em matéria de direitos humanos, nomeadamente, no que respeita à promoção da diligência devida. Em 2025, participámos na publicação do relatório Tackling Forced Labour Through Human Rights Due Diligence1, que detalha como os membros da coligação estão a aplicar esforços para prevenir o trabalho forçado nas suas operações. Através de uma ferramenta de autodiagnóstico – Human Rights Maturity Framework –, que assenta nas duas principais referências internacionais de integração dos direitos humanos nas empresas – os Princípios Orientadores das Nações Unidas (UNGP) e as Linhas de Orientação para Multinacionais da Organização Mundial do Comercio e Desenvolvimento (OECD Multinational Guidelines) –, os membros assumem publicamente as suas responsabilidades nas áreas em que têm de investir para reduzir os riscos de direitos humanos.
A prevenção e erradicação do trabalho infantil são asseguradas através de políticas e procedimentos de recrutamento, seleção e monitorização contínua que proíbem a contratação de pessoas abaixo da idade legalmente permitida.
Em 2025, e em reconhecimento da maturidade das nossas iniciativas, alcançámos uma pontuação de 9,0 pontos em 10,0 no Global Child Forum. Esta organização internacional avalia o desempenho das empresas nas áreas de governação e colaboração, local de trabalho, mercado, comunidades e ambiente, refletindo o compromisso com os direitos das crianças, as condições laborais, as políticas internas, as práticas comerciais e de marketing, e o impacto social e ambiental.
Liberdade de associação e contratação coletiva
A liberdade de associação e de contratação coletiva é basilar no âmbito dos direitos dos colaboradores que, segundo a legislação aplicável, são livres de estabelecer e aderir a organizações sem necessidade de autorização prévia, podendo fazer-se representar pelas mesmas na negociação de acordos com o empregador. A contratação coletiva, por agora aplicável apenas a Portugal, abrange 98,1% dos colaboradores neste país, onde temos 13 contratos coletivos ativos. Adicionalmente, o Grupo conta com 91,7% de colaboradores em Companhias que integram representantes de colaboradores em Portugal e 95,7% na Polónia, garantindo o pontual cumprimento, nos termos da lei de cada país, de quaisquer normas relacionadas com direito de informação e/ou consulta em vigor.
No contexto do diálogo social, estamos presentes em fóruns de negociação com estruturas representativas de trabalhadores. Em Portugal, participamos ativamente em associações setoriais, como a APED (Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição), e transversais, nomeadamente a CIP (Confederação Empresarial de Portugal).
De igual forma, somos um membro ativo em fóruns de diálogo social, designadamente a nível europeu, através do EuroCommerce.
Comunicação e formação
Procuramos garantir que os colaboradores conhecem os seus direitos e responsabilidades no cumprimento dos padrões de ética que estabelecemos, pelo que lançamos regularmente campanhas de comunicação e ações de formação.
O Código de Conduta e a Política Anticorrupção são partilhados cada vez que admitimos novos colaboradores em qualquer país, solicitando a formalização da sua tomada de conhecimento. Na Colômbia, os colaboradores são formados na Política Anticorrupção durante os primeiros dois meses de trabalho. A formação no Código de Conduta é obrigatória para todos os colaboradores.
Realizámos ainda sessões presenciais e em formato e-learning sobre legislação laboral, frequentadas por 11.454 colaboradores em 2025.
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Código de Conduta |
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Política Anticorrupção |
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Legislação laboral |
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Volume de formação1 |
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Colaboradores formados |
|
Volume |
|
Colaboradores formados |
|
Volume |
|
Colaboradores formados |
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Grupo |
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83.353 |
|
118.362 |
|
28.995 |
|
31.445 |
|
25.345 |
|
11.454 |
||||
Portugal |
|
16.345 |
|
30.890 |
|
4.871 |
|
7.404 |
|
2.500 |
|
882 |
||||
Polónia |
|
50.862 |
|
68.871 |
|
3.457 |
|
5.387 |
|
14.868 |
|
2.702 |
||||
Colômbia |
|
16.020 |
|
18.349 |
|
20.550 |
|
18.580 |
|
7.828 |
|
7.825 |
||||
Eslováquia |
|
126 |
|
252 |
|
104 |
|
48 |
|
149 |
|
45 |
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Mecanismos de resolução
Asseguramos que todos os colaboradores têm acesso a canais de denúncia independentes, acessíveis e conhecidos por qualquer parte interessada. Todas as denúncias que recebemos são devidamente investigadas, havendo elaboração de planos de ação e respetiva monitorização, e garantimos a confidencialidade e a proteção dos denunciantes.
O Serviço de Atendimento ao Colaborador funciona como canal para denúncia, esclarecimento e resolução de questões laborais, garantindo confidencialidade, independência, imparcialidade e proteção contra retaliação. O BOP (Biuro Obsługi Pracownika) é o serviço de atendimento ao colaborador na Polónia, criado para garantir um canal independente, confidencial e transparente que apoia os colaboradores na defesa dos seus direitos laborais e humanos. Em 2025, foram desenvolvidas novas iniciativas para sensibilizar sobre o funcionamento do BOP e prevenir situações de mobbing e discriminação.
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Contactos/procedimentos iniciados |
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Contactos/procedimentos concluídos (%) |
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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
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2025 |
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2024 |
|
2023 |
|
2025 |
|
2024 |
|
2023 |
||||||
Grupo |
|
119.498 |
|
112.653 |
|
90.809 |
|
99% |
|
99% |
|
100% |
||||||
Portugal1 |
|
32.932 |
|
43.707 |
|
22.972 |
|
99% |
|
100% |
|
100% |
||||||
Polónia2 |
|
19.267 |
|
18.432 |
|
19.537 |
|
96% |
|
97% |
|
100% |
||||||
Colômbia |
|
67.299 |
|
50.514 |
|
48.300 |
|
99% |
|
99% |
|
99% |
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A Comissão de Ética e os Núcleos de Ética, presentes em Portugal, Polónia e Eslováquia, asseguram a receção e seguimento de denúncias de irregularidades, agindo de acordo com princípios de independência, isenção, integridade e confidencialidade. Suportados por uma plataforma de gestão de denúncias, disponibilizam um website próprio, através do qual os colaboradores podem reportar de forma confidencial qualquer incumprimento ou violação da lei, de política interna ou de princípio, designadamente relacionados com agressão, assédio, conflito de interesses, corrupção, discriminação, fraude, práticas negociais abusivas ou utilização indevida de informação. O mesmo é válido para qualquer parte interessada com a qual as Companhias trabalhem ou interajam, incluindo trabalhadores não colaboradores.
Na Polónia, existe uma Comissão para o Combate ao Mobbing, Discriminação e Assédio Sexual, responsável pelo seguimento de queixas nestas matérias. Na Colômbia, o Comité de Convivência Laboral assegura o tratamento de denúncias relacionadas com condições de trabalho ou outros problemas laborais.
Todas as situações reportadas são analisadas e investigadas, sendo criados planos de ação para a sua resolução sempre que necessário. Em 2025, recebemos 4.250 denúncias laborais, todas elas investigadas, das quais 34,8% foram encerradas e 47,8% necessitaram de ações de remediação.
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2025 |
|
2024 |
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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Denúncias laborais |
|
Total |
|
% de denúncias recebidas |
|
Total |
|
% de denúncias recebidas |
||||||||||
Denúncias recebidas1 |
|
4.250 |
|
– |
|
3.580 |
|
– |
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Denúncias analisadas2 |
|
4.250 |
|
100,0% |
|
3.580 |
|
100,0% |
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Denúncias com necessidade de ações de remediação3 |
|
2.030 |
|
47,8% |
|
1.826 |
|
51,9% |
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Denúncias encerradas (conclusão do seguimento sem necessidade de atuação ou conclusão do seguimento com implementação das ações necessárias)4 |
|
1.479 |
|
34,8% |
|
3.059 |
|
85,4% |
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Das denúncias laborais recebidas em 2025, foram reportadas 143 por discriminação, incluindo assédio. No que diz respeito ao trabalho forçado, tráfico de seres humanos ou trabalho infantil, não foi identificada nenhuma denúncia.
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|
2025 |
|
2024 |
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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Denúncias por discriminação1 |
|
Total |
|
% de denúncias recebidas |
|
Total |
|
% de denúncias recebidas |
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Denúncias por discriminação recebidas |
|
143 |
|
– |
|
136 |
|
– |
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Denúncias por discriminação seguidas2 |
|
141 |
|
98,6% |
|
136 |
|
100,0% |
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Denúncias por discriminação com necessidade de ações de remediação3 |
|
69 |
|
43,3% |
|
73 |
|
53,7% |
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Denúncias por discriminação encerradas (conclusão do seguimento sem necessidade de atuação ou conclusão da do seguimento com implementação das ações necessárias)4 |
|
93 |
|
65,0% |
|
126 |
|
92,6% |
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Mais informação sobre os nossos canais de comunicação com stakeholders internos e externos pode ser consultada “Envolvimento com os stakeholders e canais de comunicação”.
1 Mais detalhe sobre o Relatório de Maturidade “Tackling Forced Labour Through Human Rights Due Diligence” pode ser consultado aqui